sábado, novembro 26, 2005

Faltou-lhes um bocadinho assim – Indiscutivelmente um bom concerto. Sem dúvida. Boa actuação, excelente arranjo cénico, qualidade de som razoável, ou se quiserem boa, tendo em conta o que o Pavilhão Atlântico já foi no passado. Ou seja, um espectáculo competente, de uma excelente banda, com imenso futuro. Há de facto muita qualidade, muita sensatez, pouco pensamento “estratosférico” ou “galáctico” (já lá vamos a alguns rasgos de “star system”, mas enfim são excepções) e, portanto, estes rapazes vão longe. Até onde não sei muito bem porque, tal como já devem ter reparado, não vos falei num Grande concerto. Num concerto histórico. E isto quer dizer muito coisa. Basta darem uma olhadela em anteriores comentários meus, para verem claramente que ontem faltou qualquer coisa. Vejam Metallica no Rock in Rio 2004, a título de exemplo. Mas enfim, ontem tivemos 2 bandas bastante diferentes. Diria mais, duas bandas completamente diferentes. Nesse aspecto, um claro erro de casting. Mas enfim, como são uma banda com algum estilo, alguma coisa para mostrar em termos sonoros a coisa passou sem se dar muito por eles. De Goldfrapp ficou isto, ou seja, pouco. Mas indo ao que interessa, e começando pelo público. Transversal em idades mas jovem, arriscando uma média em redor dos 19/20 anos. Havia de facto muita gente jovem, até talvez em quantidade surpreendente. Quando digo jovem, digo dos 14 aos 20. Para todos os efeitos, não acho a música de Coldplay fácil, não é difícil, mas não é óbvia, sim soa muito bem logo às primeiras audições, mas é, muitas vezes, melancólica e triste. E, portanto, aqui alguma surpresa, que seria confirmada lá mais para a frente, quando se ouviram os gritos histéricos de jovens colegiais (no sentido de terem idade para andarem em colégios). Ainda a propósito “deste” público, de referir que foi para mim talvez o facto mais surpreendente. Confesso que nunca tinha ido a um concerto deste género, como sabem as minhas andanças sempre foram outras. E, garanto-vos que me custou mais estar no meio daquelas esfinges que num “mosh-pit”. Toda a gente irritantemente no seu lugar durante todo o concerto, sem se movimentarem um centimetro que seja! Para além de olharem para nós com um ar transtornado e pedante quando tentavamos, educadamente, avançar mais para perto do palco. Agora percebo as aventuras do Edgar num concerto de Brian Adams.
Em termos musicais ficou um pouco a sensação de vira-o-disco e toca o mesmo. Enfim, nada de surpreendente atendendo ao que já tinha escrito aqui antes do concerto. De facto, faltou um bocadinho de sal, um bocadinho mais de emoção, que fizesse o concerto ir um pouco mais longe. Para mim, ouve apenas dois momentos em que estivemos perante algo de extraordinário na ligação banda-público, que foram durante o Clocks e outra música que não me lembro bem se terá sido o The Scientist . Dois “pregos” pelo meio, seguidos de uma asneirola vieram dar esse toque de “superstar” que o Martin já começa a ter, mas vá, faz parte do pacote, da imagem, de banda honesta, descomprometida, que querem passar. Acho que, não sendo exactamente assim, estão mais próximo disso que de qualquer outra coisa. Os meu parabéns, pelo bom concerto. Têm um excelente futuro pela frente, basta que tenham a noção que esse futuro é grande, e que também por isso é preciso continuar a fazer muita música boa, durante muito tempo. Nessa altura teremos concertos de 2h30m + encore carregadinhos de singles, e com o já jurássico Yellow......................

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