domingo, outubro 30, 2005

Estratégia (falta de) - Ainda há dois dias discutia este assunto. E poucos partilham da minha opinião. Hoje, ainda agora, estava Belmiro de Azevedo a defender algo parecido com o que tenho dito. Dizia então o Eng. que, olhando para o Orçamento de Estado 2006 e para a governação do Governo Socrates em geral, se via exactamente o mesmo já visto no primeiro Orçamento de Estado de Manuela Ferreira Leite: um Orçamento para arrumar a casa, um Orçamento para colocar as contas em dia. Mas que, em termos estratégicos, em termos de rumo estratégico de desenvolvimento para o país, muito pouco ou nada se via. Ou seja, ideia muito parecida com a que tenho defendido desde os primeiros meses de Governo Socialista. O que vejo é um enorme circo, com medidas populistas, contra grupos como os Professores, Militares, Oficiais de Justiça (também estes a certa altura constituiram as "Forças de Bloqueio" a Cavaco Silva, que tanto queria trabalhar!) que de uma maneira geral recolhem a simpatia do "Povo" (cá está o Povo!). Em concreto o que vejo são cortes orçamentais mais ou menos importantes, mas também mais ou menos indiscriminados, do lado da Despesa, e aumentos, importantes do lado dos Impostos (Receita). A pergunta que coloco é: Mas para quê? É o Défice estúpido! Sim, claro que é o défice, mas já alguém viu uma empresa / organização com ambições a algo mais que a sobrevivência tomar medidas para em vez de perder muitíssimo dinheiro, perder apenas muito dinheiro?
Resumindo, provavelmente o peso do Estado na economia é excessivo, provavelmente dentro desse Estado, existem muitos gastos não produtivos, provavelmente há muita gente a não pagar impostos impunemente, mas já alguém viu uma empresa colocar como objectivo estratégico, gastar menos electricidade, reduzir o número de viaturas de serviço, diminuir despesas de representação?
Com isto o que venho defendendo é que este Governo está a pedir sacrifícios (aos mesmos de sempre, mas isso fica para outras andanças) em nome de algo que não sabe bem o que é, ou se o sabe não transmite ao "Povo". A ideia clara que tenho é que não estão definidos para Portugal, objectivos claros de desenvolvimento e de aumento da competitividade do país, medidos por indicadores sociais (indice de qualidade de vida, por ex), culturais (média de anos de escolaridade, por ex.), economicos (competitividade das empresas portuguesas, equilíbrio da balança comercial, por ex.), e outros, através dos quais se possam definir metas, objectivas, palpáveis para o nosso país atingir. Cortar por cortar, restruturar por restruturar, fazer por fazer, no limite reinventar a roda, só pode ter um objectivo, mostrar serviço e, se é verdade que isso pouco ou nada resulta no mundo dos negócios (ás vezes sim eu sei, mas fica também para outras andanças), no mundo da política tem muitas vezes dividendos políticos (VOTOS). Se isto não vos parece claro, olhem para Cavaco. Há data um homem de rigor, rígido, decidido, hoje, para quem quer ver um pouco mais além, um dos grandes culpados da situação dificitária que o país vive, tanto a nível orçamental, mas mais gravosamente a nível de competitividade. Competitividade do país: assunto a abordar dentro em breve, como seguimento lógico deste Post.

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