domingo, janeiro 30, 2005

E-Agora? - Sobre o estado a que chegou o Estado, a classe política, o país, a moral e a ética muito há a dizer, mas muito pouco de novo. Hoje, mais do que nunca, o caminho para o suicídio colectivo de um país, perfila-se no horizonte de maneira muito clara. Clara para os que são agora surpreendidos, e horivelmente clara para os que há já muito o anunciam. O sistema democrático em Portugal está definitivamente posto em causa. Quem o ajudou a construir está neste momento rico e poderoso à conta da sua destruição. Hoje, são muito poucos os que acreditam poder mudar o mundo (o nosso, Portugal) através da máquina Pública. E todos os que o prometem fazer, contam com a total desconfiança dos que os poderiam (infelizmente vão) eleger. Hoje, a esmagadora maioria dos capazes e verdadeiramente competentes acreditam poder fazer melhor pelo bem de todos, longe da máquina do Estado.
E-Agora? o que se assiste no país é a uma pré-campanha eleitoral perfeitamente vergonhosa. Vergonhosa como nunca, diria eu. E-agora? O que podemos fazer nós quando possuimos a convicção profunda de que nada de nada pode melhorar, ou mudar sequer, após um escrutínio como este? Vamos votar nos partidos radicais? Não vamos lá sequer? vamos ajudar a plantar narizes de palhaço nos cartazes deste país envergonhado? Vamos colocar o Estado em tribunal porque há muito deixou de ser pessoa de bem?
São perguntas que se colocam a todos aqueles que hoje se conseguem desviar das pazadas de areia que estes fulados nos atiram todos os dias aos olhos. All day long, sem tempo para descansar, o ridículo, o vergonhoso, o gravíssimo, vem à baila e percebe-se que, de facto, se chegou a um ponto sem retorno. Ponto este em que pedimos que tudo acabe depressa, que se chegue depressa ao fundo, que se bata com muita força, e que a canalhada veja a porcelana partida em cacos, e que nós, infeliz e forçosamente, também os acompanhemos. Só assim poderemos renascer das cinzas, e ser um país, uma nação, algo de sério.
Ou então não, nunca o conseguimos no passado, dificilmente o conseguiremos no futuro.
E-Agora? Alguém sabe?