quarta-feira, setembro 22, 2004

1 – Faz hoje um ano que o DD começou em Maastricht. Ao fim de alguns dias de hesitação o meu Blog arrancou finalmente. Hoje, 1 ano e bastantes mais visitas do que eu esperaria depois, o DD segue noutro rumo, mais difícil para mim, mas mais interessante para todos, assim espero. Naturalmente que não poderia deixar de assinalar (a título de excepção contudo) a (enorme) distância que separa os dias de hoje dos de então. Erasmus e vida de trabalhador nada têm em comum é certo. E agora, mais do que imediatamente após o regresso, sinto enormes saudades dos tempos que passei na Holanda. Facilmente se explica este sentimento com o facto de neste momento, contrariamente à vida de estudante que ainda tive durante 6 meses após regressar de Maastricht, estar a trabalhar (8h30 ás 19h30 nos melhores dias – bem sei que alguns de vós estão pior) e ter todos os dias de estar preparado e concentrado para trabalhar no duro. Nenhum queixume! Mas os tempos são diferentes e é importante ter em mente estas diferenças, para valorizar devidamente tanto os tempos passados em Erasmus como os actuais (com os quais aliás estou muito satisfeito). Esperando que o DD siga agora o rumo pretendido de forma consistente e sistemática, fica aqui um obrigado para aqueles que simpaticamente passaram e vão passado pelo DD.

sexta-feira, setembro 17, 2004

Estado da Nação #1 – Este é um Post que vem já atrasado mas, ainda assim, penso justificar-se em pleno um comentário. Situação: aquando da ida da Ministra da Educação ao Parlamento, um deputado do PP pede licença para usar da palavra. A propósito dos atrasos na colocação dos professores e todas as gravosas consequências que daí resultaram (e continuarão a resultar no futuro), o deputado comenta: “É uma situação grave, sim senhor, mas não é dramática, veja-se o que está neste momento a acontecer na escola russa onde centenas de crianças estão sequestradas, essa sim é uma situação dramática, estamos bem longe disso portanto.”
O meu comentário: “ O QUÊ!!!??”
Este exemplo evidente, de tão ridículo que é, demonstra bem o estado a que o País chegou. A verdade é que senhores como este, votam leis importantes em nome dos portugueses. É tão-somente este o comentário que tenho a fazer, o facto fala por si, e atesta do ponto em que temos o nosso país.
Dentro em breve voltarei com este headline, para analizar várias outras situações que atestam bem do estado de bandalheira, bandalheira completa, a que o país chegou.

quinta-feira, setembro 16, 2004

De baixo? De cima! – Verifiquei que em relação ao meu último Post foi feito um comentário muito interessante. Sobre a questão dos problemas do país, em particular a Justiça a Luciana (alguém que não conheço mas que teve a simpatia de deixar um comentário) defendia que o problema vinha “de baixo” e que cada um de nós contribui ou não, para o desenvolvimento da sociedade. Sucintamente era esta a ideia defendida por ela. Bom, esta ideia lançou as pistas para um Post que há já muito pretendia escrever. Em minha opinião, e não podendo desmentir explicitamente o que a Luciana defende, é evidente que cada um de nós tem a obrigação de cumprir com os deveres de cidadão da melhor forma possível, eu sempre defendi uma perspectiva diferente. Julgo que em qualquer grupo, organização e numa escala maior, uma sociedade ou país, o problema vem sempre, mas sempre, “de cima”. Ou seja, e recorrendo ao exemplo de sucesso (relativo é certo) do país vizinho, o que faz avançar uma sociedade é a existência de uma elite dirigente (economistas, empresários, advogados, médicos, gestores, pintores, músicos…………..) que saiba definir um caminho e que posteriormente o saiba percorrer “carregando” o país ás costas. Este é para mim o grande problema em Portugal. Num país com (ainda) profundos atrasos culturais e económicos é impossível falar em soluções que vêm “de baixo”. A verdade é que “em baixo” não existe capacidade sequer, de perceber os problemas. Daí que “o exemplo” em variadíssimas áreas tenha necessariamente de vir do topo por forma a liderar a massa anónima, inculta, ignorante e ainda por cima, pobre. Que fique bem claro que a maior parte dos portugueses nem sequer percebe bem onde reside de facto o Problema, desta forma é-lhe completamente impossível partir em busca a solução.

segunda-feira, setembro 13, 2004

Problema – Tipicamente, todos nós portugueses, acabamos mais dia menos dia por pensar e opinar sobre aquilo que é o nosso país, e consequentemente sobre formas de o tornar um lugar melhor. Eu naturalmente não fujo à regra tendo já, sobre o assunto, debitado incontáveis palavras. Hoje estou convicto sobre a causa fundamental do insucesso relativo do país. Em minha opinião o facto de termos uma Justiça, um sistema judicial se quiserem, completamente apagado, amorfo, perfeitamente incapaz, é o grande motivo de atraso do país. Atentem a um simples facto, dos acidentes nas estradas, à má gestão no Governo, tudo vai acontecendo neste país num ambiente de total impunidade. Assim temos uma situação em que quem viola a Lei, quem passa ao lado dos princípios consagrados pela letra da Lei, sai beneficiado. Em todos os quadrantes da nossa sociedade assistimos a isto: da vida empresarial, passando pelo mundo do futebol, pela vida partidária, pela acção governativa, em todos estas áreas assistimos passivamente a tomadas de decisão (e omissão delas) gravosas para o país e para os portugueses sem que ninguém seja responsabilizado por isto. Reflicta-se num caso extremamente simples, um qualquer investidor estrangeiro que encontra em Portugal boas condições de negócio, verificando boas oportunidades para efectuar um investimento frutuoso. Até aqui tudo bem, Portugal é um país com este perfil. Mas, depois, imediatamente verifica que dia que tenha um litígio, que sofra uma fraude, que tenha um qualquer problema jurídico, não vai ser defendido por um sistema judicial capaz. Ora, com natural receio que um qualquer chico-esperto se utilize da impunidade existente para o ferir nos seus legítimos interesses, rapidamente recua. Isto, naturalmente, passa-se também com cada um de nós, no momento de fazer um investimento mais arriscado, na altura de fazer uma compra importante (terrenos, casas, arte, etc.) Concluo com a convicção profunda de que num país sem Lei, ou onde ela não é cumprida, investimentos importantes em áreas fundamentais como a Saúde, Educação e Tecnologia, por exemplo, são neste momento tiros ao lado. O alvo de qualquer Governo em Portugal deve ser, neste momento, a criação de um ambiente de Justiça, onde a Lei é aplicada de forma célere. Só assim é possível numa fase posterior potenciar devidamente investimentos nas diferentes áreas. Se em qualquer uma destas áreas apontadas a título de exemplo, continuarmos a investir fortemente, mas onde facilmente vemos os fundos a serem ruinosamente geridos, ou em proveito pessoal da gestão/administração, é fácil de perceber que não conseguiremos evoluir.

sexta-feira, setembro 03, 2004

Debate – Assisti na passada 3ª feira a um dos mais lamentáveis acontecimentos televisivos de que me consigo recordar. Na prática não é uma situação nova, mas o que vi parecia feito por encomenda (e provavelmente era mesmo!). A propósito da actual polémica com o “Barco do Amor”, a RTP1 decidiu fazer um debate sobre a problemática da interrupção voluntária da gravidez. Mas, para tal, e aqui começa o problema, convidou pessoas muito “especiais”. Bom, o que vos conto a seguir provocou em mim uma enorme revolta. Temos então do lado do contra (uma maior liberalização/ discriminalização) Zita Seabra, que dispara logo numa peixeirada, afirmando que a “Esquerda de hoje” não tem bandeiras políticas e que, por isso, de tempos a tempos, tira a questão do aborto da cartola. Do mesmo lado, uma senhora do Norte, presidente de uma associação “Pró-Vida”, argumentando que mesmo a lei actual, é demasiado permissiva, e que portanto nem em caso de violação, por exemplo, a mulher deveria ter o direito a interromper a sua gravidez. Mas, já estava eu completamente chocado com estas “personagens”, quando do lado do “Pró-Escolha” vejo um sociólogo (que desconhecia) chamar a todos uma cambada de hipócritas, de cobardes políticos por não se ter ainda avançado mais na defesa dos direitos das mulheres, tudo isto num tom perfeitamente agressivo. Olho para o meu pai e comentamos: “O que é isto!!?? . O que estávamos a assistir era a um perfeito cilindrar de qualquer hipótese de termos um debate sério, neste que é provavelmente, um dos assuntos mais difíceis e complicados de debater em Portugal. De parte a parte, ou se extremavam posições, ou se defendiam causas aos berros e quase insultos. É isto o serviço público? Só se abordarmos isto na versão de como não debater. É vergonhoso, assim ninguém consegue explanar com seriedade as suas posições, e nunca chegaremos a uma solução sensata. Depois do que vi, percebo que este tipo de debate, debate tipo “vamos-ver-quem-consegue-atirar-mais-areia-para-os-olhos-dos-portugueses” de facto pode agradar a quem é “Pró-vida”, mais não fosse atentem ao que foi a campanha feita por esses senhores aquando do referendo sobre o aborto em 1998. Agora, não percebo (perceber percebo, mas acho um perfeito disparate) sinceramente como é que uma pessoa como Francisco Louçã, pensa que indo a bordo do barco e, de lá, avisar a Marinha Portuguesa que vai levar o barco até terra (sempre com um batalhão de jornalistas atrás), vai conseguir apoiantes para uma causa que pessoalmente, até acho muito justa. Um perfeito circo! Que nada ajuda a que um assunto que nos coloca na cauda da Europa em termos de Direitos Fundamentais da Mulher, seja discutido e compreendido com eficácia. E repito, quem mais perde com todo este circo, mesmo que pontualmente, se ganhe algum impacto mediático, é de longe a posição “Pró-escolha”. Haja, de facto, coragem para se debater com toda a serenidade este problema, só assim se perceberá que o que interessa a todos, e ao que qualquer mulher tem direito, é a uma escolha ponderada e pessoal.
Lançando aqui algumas pistas daquilo que deveria ser o caminho a seguir, defendo que desde já se discriminalize a questão do aborto. Mais tarde então, avançaríamos para uma situação semelhante à da maioria dos países Europeus, onde o acto é legal, até uma determinada data.